segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Chiaroscuro
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Grande + Pequeno = Médio - Alvaro Freitas
terça-feira, 31 de agosto de 2010
PARA MOTORISTA!! MINHA AMIGA FICOU.
Alda compra quase tudo que vê e adora ser fotografada. Rita é mais reservada e seletiva.
Foi em Canoa Quebrada que conversei com elas pela primeira vez. Estava passeando em Fortaleza e chegamos no mesmo voo fretado que partiu de São Paulo.
Almoçamos e comentei que ia criar meu proprio roteiro para o dia seguinte e que havia cancelado o passeio programado.
-Vou ao mercado comprar algumas coisas e depois pretendo pegar um onibus circular para conhecer um pouco do povo e da cidade. Percebi o interesse nos olhos delas e também resolveram cancelar o passeio previsto e me acompanhar.
No dia seguinte, após o café fomos para o mercado de artesanatos que fica no centro da cidade, ao lado da catedral. Acompanhei-as nas compras e percebi que Alda so comprava se Rita aprovasse.
Fiz minhas compras, almoçamos e pegamos o grande circular que dá a volta em toda cidade.
Sentei-me no lado da janela, fui apreciando a paisagem, tirando fotos e convivendo com aquela população de quase 3 milhões de habitantes.
Depois de passar por mais de três terminais, tivemos que descer no de Messajana para trocar de onibus. E pegamos uma grande fila. Como estava a frente, subi e sentei-me.
Alda veio logo atrás e pediu para Rita tirar uma foto subindo no onibus.
Entrou, virou-se e fez pose. As pessoas se afastaram e Rita tirou a foto. Nesse instante, o motorista olhando pelo retrovissor e vendo que ninguém mais subia, fechou a porta e foi embora.
Deixou Rita e os outros passageiros. Formou-se uma grande algazarra dentro do onibus. Olhei para trás e vi Rita correndo, gritando e gesticulando ainda com a maquina na mão.
Dentro a confusão era geral. Alda gritava. -Pára motorista, minha amiga ficou!
Os passageiros também gritavam. -Motorista a mulher ficou, paaara!
No meio de tanta gritaria, olhando pelo retrovisor ele parou. Percebendo que ela não havia desistido, abriu a porta e ficou esperando.
Rita entrou no onibus com respiração ofegante e rosto vermelho. Não sei se era do esforço ou de vergonha. Os que estavam no ponto, talvez não acreditando que ele fosse parar, não correram junto com ela.
Ele então fechou a porta e foi embora.
Durante o restante do trajeto, o assunto era elas.
Quando descemos proximo ao hotel, ainda pude ouvir alguém dizer de dentro do onibus.
-Eita!! Essas mulhé vem de São Paulo fazer lambança aqui na nossa cidade.
Fomos para o hotel se matando de rir e Rita ainda comentou.
-Acho que o povo que perdeu o onibus deve estar me xingando até agora.
Isso fez a gente rir mais ainda de lembrar a cena.
O pessoal da excursão ficou sabendo e elas tinha que ouvir de vez em quanto.
-Páraaa motorista!!! Minha amiga ficou.
Jaf Falcão Peregrino
sábado, 7 de agosto de 2010
Bate papo de bar
-Pois não, o que deseja?
Uma cerveja, por favor. - Disse Steve Jobs
-E você, caro senhor?
Uma dose de conhaque para mim está bem. - Anunciou Sherlock Holmes
-Ok.
Eu vou querer um copo de vinho tinto seco. - Se antecipou Sócrates
-Aqui está.
Uísque, por favor. – Falou Lord Henry
Companheiro, pra mim uma branquinha. – Solicitou Luiz Inácio
-Prontinho.
-Ah nada como uma boa cachaçinha do Brasil... você deveria experimentar companheiro Sherlock. Isso é que é bebida pra homem.
-Ah ha ha ha! Caro amigo Lula, imagine só. Tenho certeza de que as doses de conhaque são de maior valia durante as minhas investigações. Aquecem o pensamento e estimulam o raciocínio.
-E você companheiro Sócrates o que acha?
-Só sei que nada sei... seria um grande erro de minha parte julgá-las tendo como meios apenas os imprecisos sentidos humanos.
-Algum comentário Harry?
-Influenciar alguém seria dar à ela a própria alma. Ela passa a não pensar com os pensamentos naturais. As virtudes que possui deixam de ser, para elas, reais.
-Pois é isto que acho! A cachaça é sem dúvida a melhor. E quanto a você pigmeu, sempre em cima do muro. – disse Lula zombando de Sócrates.
Presumo que nosso amigo Holmes não precise de minha ajuda para parir uma opinião. Ele me parece muito bem dotado de inteligência para isso Mr. Luiz fingerless. – disse Sócrates retribuindo a gozação.
-Ah ha ha ha ha ha ha! Agora você foi longe demais companheiro Shrek.
-Oh deus! Temo que esta conversa tenha saído dos trilhos da boa educação senhores. Experimentemos outro assunto.
Nisso mais um homem chegou ao bar e todos o cumprimentaram com afeto.
-Olá senhores, como estão?
-Grande Gandih, meu amigo, sente-se, estamos a nos divertir com esses dois. – Disse Jobs
O que deseja beber senhor – perguntei simpaticamente.
-Filho, desejo apenas um suco de laranja. Está bem?
-Um minuto. Aqui está senhor.
Enquanto isso, eu, humilde garçom permanecia limpando, ou melhor, fingindo limpar o que tivesse por perto. Não queria perder sequer uma respiração. Nada. Qualquer sinal que pudesse denotar o nascimento de um brilhante raciocínio era importante.
Eu estava em companhia das maiores figuras desse mundo! Apreciava aquele diálogo e observava como eles até transpiravam certa futilidade diante de trivialidades como discutir a sobre cachaça.
Tomei a vassoura em mãos, e foi quando olhando de rabo de olho, vi Sherlock acendendo ao cachimbo e começando a refletir:
-Proponho um exercício meus caros. Vejamos até onde chega criatividade e poder de reflexão de cada um de vocês.
Definir é limitar! – Disse Lord Henry.
-Harry, vai ser divertido. Comecemos?
-Como funciona detetive?
-Simples, pensarão agora sobre a teoria das vidas paralelas... Ela diz que sempre que nos deparamos com uma bifurcação, duas vidas paralelas passam a co-existir, dessa forma, apesar do seu consciente optar por uma, seu subconsciente experimentou ambas. Assim, cada um de nós é ao mesmo tempo bandido e mocinho, vítima e culpado, telespectador e ator das melhores e piores coisas da vida...
O grande barato aqui é pensar nisso e refletir em voz alta para que todos possam acompanhar o trem da imaginação durante o caminho nos trilhos do pensamento. Mas, peço para que não contaminem a imaginação com o bom senso.
-Nossa! Realmente muito interessante sua proposta meu jovem, é um assunto nada trivial.
-Quem começa?
Eu – disse Jobs – Quero expressar-me sob a forma de poesia.
-Perfeito!
“Noites em branco, acordado pensando
esquerda ou direita
chocolate ou morango
preto ou branco?
pepsi ou coca
empresa ou escola
ouro ou copas
sabedoria ou bens
o que tens? O que fazeis? És tua a vez.
Como sereis? Diferente talvez,
cada escolha um caminho,
indivíduos distintos, infinitos destinos,
paralelos a caminhar, ao céu ou ao mar
sinos a tilintar no profundo da alma,
espere, tenha calma
tentar entender é fazer-se sofrer
Aproveite a maravilha,
você esta em sua própria companhia,
aqui ou lá, em cada lugar, você a atuar
e cabeça a completar o nem ela sabe se há”.
Todos aplaudiram, e sorrindo vi Jobs agradecer aos amigos. Empolgados, via cada um ter a face transformada pelas palavras que o poético Jobs acabara de dizer.
Após o pronunciamento do primeiro, logo vi se levantar o raquítico indiano envolto em um pano branco, e pedindo a palavra.
Sua presença de gigante transbordava inundando o ambiente o que paralisou até mesmo o relógio quando começou a falar:
-“Convenhamos que pensar em um Gandhi carnívoro e agressivo seja tão absurdo quanto pensar em um sol gelado, mas, há questões que me tiram o sono todos os dias.
Pensem comigo, só existe bifurcação se as opções são opostas, não seria bifurcação se elas fossem iguais. Correto. Além disso, uma coisa só passa a existir se for simultaneamente ao o seu oposto. Antes disso não há nada, nem partículas, nem tendências, nem existência. Partindo disso, fazer escolhas significa criar opostos. Escolher o bem significa criar o mal, então do que isso adianta? Do que adianta fazer escolhas e abrir abismos entre o bem e o mal?
Então, o que fazer? Essa é a questão...”.
-Puta que pariu! Essa foi de deixar todos calados – disse Lula
Fiquei perplexo e sem saber o que fazer, o que dizer, e até mesmo o que pensar. Como poderia assim, questões sem explicação como esta permanecerem com suas respostas perdidas onde a razão humana não é capaz de chegar...
Continua...
domingo, 1 de agosto de 2010
A ave do paraíso - Alvaro Freitas
domingo, 18 de julho de 2010
Nas Cruzadas - Alvaro Freitas
Precipício - Alvaro Freitas
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Haroldo e a Garota Legal
Um dia, chegou cansado do trabalho e resolveu bater um papo antes de dormir. Era uma maneira de relaxar um pouco. Espiou algumas salas, leu algumas conversas e resolveu entrar nas salas dos 30/40 anos. Criou um apelido (nick) "Seu Amigo" e foi para a sala 2. Não costumava tomar a iniciativa, mas naquela noite resolveu arriscar e chamou algumas mulheres para um papo. Como não recebeu resposta, ficou colando algumas musicas, lendo o que os outros escreviam e já pensava em sair para dormir quando surgiu na tela um "Oi?"
Olhou para o nick, "Garota Legal", ela convidava para um papo. Pensou um pouco e ficou indeciso, se saía ou teclava, quando novamente...Boa noite. Tudo bem? Então resolveu responder. -Tudo e você? Tecla de onde?
Sou de Itajaí/SC, conhece? Ele ja havia estado por lá.
-Sim, é uma cidade praiana e você deve curtir muito essas belas praias. Falou tentando ser agradavel. -Não! Disse ela. Gostaria muito, mas não posso. Ele estranhou.
-Por que? Trabalha muito e não tem tempo ou o namorado é ciumento?
-Não é isso e não tenho namorado. Vivo presa a uma cadeira de rodas e quase não saio de casa.
Haroldo gelou, não esperava por aquela resposta. Ficou imóvel, confuso, olhando para a tela sem saber o que escrever. E ela continuou.
-Sabe, faço hemodiálise por que tenho problemas nos rins e minha única distração é a internet.
Voce está aonde? -Estou em São Paulo e seu caso não seria resolvido com um transplante de rins? -Sim, seria a solução. Mas, não tenho plano de saúde, estou na fila do SUS, mas ja perdi a esperança.
-Não! Não deve perder a esperança. Quantos anos você tem?
-Tenho 36 anos e como faço hemodiálise a tempo. Meus ossos estão fracos e ja quebrei a perna quatro vezes, por isso tenho que andar de cadeira de rodas.
-Você está esperando um transplante a muito tempo? -Sim! Estou a dezenove anos na fila.
Haroldo sentiu um aperto no coração. Ela teve problemas aos 17 anos e com certeza vai morrer antes que consiga um doador. Ele ficou muito triste e não conseguindo manter um diálogo, saiu. Justificou que tinha trabalhado muito e estava cansado. Ela se despediu com um beijo e ele ficou transtornado, com lagrimas nos olhos.
Não conseguiu dormir direito aquela noite, pensando nela. Achou muito cruel, uma jovem na flor da idade não poder desfrutar a vida e ter os sonhos bloqueados pela doença. Pensou em quantas pessoas estão sofrendo com o mesmo problema e no dia seguinte tomou uma decisão. Redigiu uma carta e entregou a seu filho. Nela estava escrito que ele autorizava que todos os seus orgãos fossem doados após seu falecimento. E ainda comentou. -Depois de morto não vou precisar deles.
Mas, sei que poderão trazer uma nova vida para algumas pessoas. E de alguma maneira continuarei vivendo...Haroldo tem razão.
Todos nos precisamos nos conscientizar da importancia da doação de orgãos, para que não tenhamos que conviver com casos como da "Garota Legal", essa pobre moça que um dia, sonhou em ser feliz e ter uma vida normal.
Jaf - Falcão Peregrino
domingo, 27 de junho de 2010
Analgésico - Alvaro Freitas
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A Maldição de Barbosa
Ele estava sentado num banco do jardim da praia, distraido olhando para o mar e apreciando as crianças brincar na água. De repente ela surgiu trazendo o menino pela mão. Parou à frente dele e com voz grave e olhar de acusação disse.
-Filho! Este homem fez o Brasil inteiro chorar de tristeza.
Ele demorou alguns segundos para perceber que era com ele. Virou o rosto e olhou para ela que continuava com aquele olhar duro, de reprovação. Engoliu em seco e seu olhar de desanimo mostrava a amargura em seu coração. Preferiu o silencio, pois sabia que qualquer coisa que dissesse não ia mudar o pensamento dela. Ele era culpado e pronto!
A criança olhou para ele e depois para ela sem entender nada. Ela não se compadeceu e do mesmo jeito que chegou, saiu conduzindo seu filho.
Aquilo se tornara comum em sua vida. Por mais distante que fosse, não havia como fugir.
-Nunca vou conseguir me livrar disso. Parece que carrego uma maldição. Ele chorava em silêncio e um sentimento de revolta dominou seu corpo: sentiu vontade de gritar para o mundo.
-Eu não joguei sozinhooooooo. Havia mais dez além de mimmm.
Mas, sabia que não adiantava. Tinha sido julgado e condenado pela derrota do Brasil em 1950 e só a morte ia conseguir libertá-lo disso.
Com os cotovelos apoiados nos joelhos, colocou as duas mãos na cabeça. Era como se quizesse tirar tudo aquilo da mente, enquanto as lagrimas escorriam pelo rosto.
-Por que cometem essa injustiça comigo?
Eu era apenas mais um defensor daquela seleção. Ninguém lembra dos outros dez, somente eu sou lembrado. Um individuo mata outro, é julgado e condenado a 30 anos de cadeia. Depois desse tempo está livre e pagou pelo seu erro. Eu não!
Já se passaram mais de 50 anos e eu continuo pagando por um crime que não cometi.
-Perdemos, eu sei. Mas, e daí?
Já perdemos tantas outras copas por erros de jogador ou de técnico, mas ninguém lembra mais disso. Por que não esquecem de mim? Sai do Rio de Janeiro por que não aguentava mais. Vim morar aqui na Praia grande, onde pensei que encontraria a paz, mas não.
E a imprensa então! Toda vez que o Brasil joga com o Uruguai sou lembrado, não pelas defesas que fiz, mas por um gol que tomei. Um gol normal, indefensavel para qualquer goleiro. Menos para mim. E valorizam o atacante uruguaio que fez o gol. Ele sim foi nosso carrasco, não eu.
Depois de ouvir as palavras duras daquela mulher, Barbosa perdeu a vontade de ficar ali. Mais uma vez, alguém tinha estragado seu dia. O pior era o olhar daquela criança, que vai crescer e será mais um para condena-lo. A idade também já pesava em seus ombros e saiu caminhando devagar de volta para casa, pensando. Pelo menos lá não tem ninguém para me condenar, pois moro sozinho.
Um dia Barbosa foi retirado de nosso convivio, mas não se libertou. Mesmo morto, ainda paga pela perda do titulo. Foi um injustiçado, por isso devemos pelo menos reverenciar a memória do cidadão. Uma pessoa correta, amigo de todos e acima de tudo um homem integro. E que mesmo sendo agredido, nunca revidou os ataques contra ele. Acho que já passou da hora de apagar esse estigma da vida de Barbosa e lembrar somente do grande homem que foi.
É muito facil julgar os outros e acusa-los de erros. O dificil é criar consciência que essa atitude lembrada sempre, não trouxe nenhum beneficio para os brasileiros, mas conseguiu destruir a vida desse pobre cidadão chamado Barbosa.
JAF-Falcão Peregrino
sábado, 19 de junho de 2010
Máscara - Alvaro Freitas
sábado, 12 de junho de 2010
A Andorinha - Alvaro Freitas
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O SORRISO DE PELÉ
Entrei e uma pessoa estava terminando de cortar o cabelo.
Logo que saiu o barbeiro olhou para mim como dizendo. -Você é o próximo.
Ocupei a cadeira e em silencio ele começou a cortar meu cabelo.
Não havia se passado muito tempo, quando percebi uma agitação e os motoristas se dirigindo a um jovem que acabara de chegar.
Um deles quase obrigou o rapaz a sentar naquele banco para jogar dama. Mas, ele entrou na barbearia e cumprimentou com um sorriso. Olhou para o barbeiro dizendo.
-Quando chegar minha vez avisa. Ele quer perder de novo.
O motorista sentado no banco, colocando as peças no lugar chamava.
-Vem Pelé? Vamos jogar que hoje vou ganhar.
Ouvindo aquele nome, olhei para o jovem. O rapaz sorridente era Pelé.
Naquela epoca não havia ainda televisão em minha região. Então ouvia pelo radio os jogos do Santos e ele sempre pareceu um gigante. Mas, ali de chinelos e bermudas, não tinha nada de diferente dos outros jovens. Sorrindo e brincando com os motoristas, não parecia nem de longe o atleta consagrado. Já havia participado de duas copas do mundo e era considerado o maior jogador do momento. Mas, em minha frente era somente um garoto risonho, brincando sem nenhuma ostentação.
A partida terminou na mesma hora que o meu corte de cabelo. Pelé ganhou e seu oponente não se conformava. Pediu que depois de cortar o cabelo sentasse para jogar de novo. Enquanto eu saía da cadeira, ele se aproximou e ainda sorrindo disse.
-Tanta insistencia para perder de novo, parece até o Corinthians, não ganha uma de mim.
Cedi o lugar na cadeira também sorrindo e olhei na direção do motorista que aguardava ansioso para jogar novamente. Sai dali imaginando que seria novamente derrotado.
Aquela foi a primeira vez que vi Pelé. Desde esse dia, sempre que possivel acompanhava os treinos do Santos. Assistia a quase todos os jogos e ficava encantado com aquela máquina fantástica de jogar bola comandada por ele.
O tempo passou, ele foi para o Cosmos, nos Estados Unidos e um dia deixou de jogar futebol.
Nunca mais vi Pelé, mas ele nunca perdeu o contato com o Santos.
Nesse ano de 2010, aconteceu mudança de diretoria e conseguiram trazer Robinho, de volta por empréstimo. O estádio estava lotado quando ele chegou de helicóptero. Desceu e foi conduzido por Pelé até o palco armado no estádio, para apresentar a torcida.
Naquele momento Robinho era o rei, alvo das atenções. Os jornalistas queriam ouvir o que tinha para dizer. Mas, no meio daquela gente, pude percebe aquele mesmo Pelé.
Em sua simplicidade, conversava com todos e sorria alegremente.
Mais velho como todos nós, mais ainda conservando aquele mesmo sorriso de menino, dos tempos do futebol arte que ele foi rei.
Jafortes - Falcão Peregrino
domingo, 6 de junho de 2010
Teoria da Evolução - Alvaro Freitas
sábado, 29 de maio de 2010
O Poeta - Alvaro Freitas
domingo, 23 de maio de 2010
O Corvo - Alvaro Freitas (releitura de Edgar Allan Poe)
quinta-feira, 20 de maio de 2010
SER OU NÃO SER ENGANADO
-Moço! Ei moço! Posso falar um instante com você?
Caminhava distraido pela rua Guaibê em Santos, quando ouvi aquela voz me chamando.
Parei e olhei para ele. Era um homem de meia idade, devia ter uns 38 anos, estava com a perna engessada do tornozelo até acima do joelho e caminhava com dificuldade. Aproximou-se dizendo.
-Sabe! Tive alta na Santa Casa e minha familia não foi avisada. Consegui chegar até aqui, mas moro em Vicente de Carvalho e não tenho dinheiro para pegar a barca e atravessar o canal.
-Será que você pode me ajudar?
Olhei em seus olhos e achei que falava a verdade, então dei os três reais que carregava no bolso. Agradeceu com um sorriso e segui meu caminho. Estava indo visitar uns parentes ali perto, na Rua Jurubatuba. Chegando lá não encontrei ninguém em casa, eles tinha saido. Então retornei pelo mesmo caminho. E passando em frente a padaria que fica no meio da quadra, proximo onde aquele homem me abordou, senti a raiva tomar conta de mim.
Encostado no balcão com um copo de bebida à frente, lá estava ele.
O homem da perna engessada.
O sangue subiu, senti vontade de ir lá brigar por ter mentido para mim. Mas, acabei me controlando e seguindo para casa. Aquilo me aborreceu muito, então prometi que nunca mais ia deixar ninguém me enganar.
O tempo passou e um dia estava em Florianopolis onde mora minha filha. Levei-a para uma consulta médica. Ela entrou no consultório e eu estacionei o carro na sombra de uma árvore. Fiquei ouvindo musica e com a porta aberta enquanto aguardava. Estava ali a algum tempo, quando surgiu um casal, não sei vindo de onde. O pai com a criança nos braços aproximou-se e mostrou uma receita perguntando se eu podia dar algum dinheiro, pois a criança precisava tomar aquele remédio. Em minha cabeça veio a lembrança do homem que me enganou em Santos e comentei que devia ir no posto de saúde que conseguia o remédio de graça. Ele disse que tinha estado lá e aquele medicamento não havia em estoque, tinha que ser comprado.
Disse que não tinha dinheiro e pude sentir o desanimo em seu rosto. Saiu sem dizer nada, seguido pela mulher. Ainda não tinha virado a esquina, alguns metros a frente, quando comecei a sentir uma sensação estranha. Era como se minha consciência cobrasse. Afinal, aquele remédio podia ser a diferença entre a vida e a morte para aquela criança.
Não era preciso comprar o remédio, bastava dar algum dinheiro. Ele ia ficar satisfeito e eu não ia ficar mais pobre. Então liguei o motor do carro e fui atrás deles. A rua que entraram era contra mão, tive que dar uma grande volta e com isso perdi muito tempo para chegar onde imaginei que estariam. Mas, não havia nem sombra deles. Rodei pelas imediações, e nada. Depois de algum tempo resolvi voltar e minha filha já estava me esperando. Perguntou onde tinha ido. Respondi que fui resolver um negocio mas não dei maiores explicações.
Voltamos para casa e fui pensando naquela criança. Será que agi certo? Tenho visto campanhas para não dar esmolas e que remedio a rede publica fornece. Mas, tem hora que temos a sensação de estar sendo cruel com as pessoas, como aquele chefe de familia com aquela criança. Pode estar desempregado e sei que na rede pública falta medicamentos. Fiquei com um peso grande na consciência e decidi que devo ser mais criterioso e analisar com calma para não ser enganado. Mas, sei também que as vezes é melhor arriscar para ajudar quem precisa, que virar as costas para todos.
JAF Falcão Peregrino
domingo, 16 de maio de 2010
Era uma vez... - Alvaro Freitas
domingo, 9 de maio de 2010
Zoráculo - Alvaro Freitas
sábado, 8 de maio de 2010
Calouro
brincar de ser poeta,
e o que eu não tenho medo
é de tentar fazer enredo.
Não tem jeito, nem quando eu me deito
gosto, tento, meço e faço
mas o que tenho é pé descalso
na estrada da palavra.
Me desculpo, homem matuto
por tomar-te todo o tempo
lendo, relendo, vendo e fazendo
todo esforço pra tentar me captar.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Mulher/Mãe.
Nem todas mulheres são mães, apenas prestam ao papel de fêmea parideira,
fato que pode ser ocasional e neste acaso um filho pode ser mero fruto
indesejável, por minutos de prazer.
?...
E agora mulher vai teu filho chegar,
te amar como santa e de mão te chamar.
Por ele serás a sombra do próprio viver.
Depois que a mulher fica mãe tudo é motivo para chorar:
chora se o filho sofre,
chora se apenas pensar que este possa sofrer,
chora a beleza de vê-lo sorrir,
chora se na vida vencedor este volta para agradecer.
Mãe é algo difícil de se entender e impossível de analisar.
Não sabe se ri ou chora,
sabe ser mãe na hora que o filho perigos rondar.
No papel que desempenha,
onde fica você?
Será que te basta ser mãe,
esquecendo ser mulher?
Cada dia olha infinitamente para os que ama sem se vê.
Porém, tens um dia especial,
te cobrem de flores,
de ti se lembram para serem abraçados,
sim mamãe,
te fizeram este dia para o filho não esquecer,
que muito amor nos braços abertos,
a mãe tem para oferecer!
Musicalizando
- Oi Joãozinho! Está preparado? Se lembra que hoje vamos falar com o pai sobre o nosso namoro, né?
- É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim.
- Ai amor, eu falo sério, você tem que parar com essa mania de falar cantando, meu pai pode não gostar.
- Don't worry about a thing, 'Cause every little thing is gonna be alright.
- Ai deus, no que é que isso vai dar?! Olhe lá, ele está chegando...
- Ola camarada, eu sou o pai da Mariazinha.
- Alô criançada o Bozo chegou!
- O que foi que você disse?
- Digo, muito prazer Sr.
- Ah, está bem, e como você se chama?
- Para alegrar a rapa nas ruas da sul eles me chamam Brown, maldito vagabundo, mente criminal.
- O quê?
- Desculpe, me chamo João Sr.
- Imagino que já deva saber, nossa família tem uma empresa muito bem sucedida, muito conforto financeiro, belos carros e moramos numa linda casa na Granja Viana. E você onde mora?
- A lua cheia clareia as ruas do Capão.
- Capão, Capão Redondo!? Fala sério? Bem, deve ter algum condomínio luxuoso pra esses lados também. Não é o melhor lugar pra se escolher, mas, se vocês tiverem carros blindados, por mim tudo bem.
- E no que você trabalha?
- Estátuas e cofres e paredes pintadas, ninguém sabe o que aconteceu.
- Ah, deve ser com obras de arte e coisas relacionadas a museus então.
- Mas como é o ramo? Você lucra muito com isso?
- Ora bolas, não me amole, com esse papo de emprego, não ta vendo, não tô nessa, e o que eu quero é sossego.
- O que! Você não trabalha então?
- É prosti é prostituto.
- Nossa! Isso só pode ser linguagem de jovem mesmo. Deve ter outro significado. Tudo bem, deixe pra lá. E por que é minha filha se apaixonou por você, o que foi que você disse à ela?
- E por você eu largo tudo, carreira, dinheiro e canudo.
- Bem, não estamos nos entendendo direito. Vamos ao mais importante então. Quais são mesmo as suas intenções com a minha filha?
- Créééu, créééu, créééu!
- Já chega, alô, é da polícia? Há um elemento aqui em minha casa que quer desonrar a mim e a minha família, levem-no daqui!
- Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia!
- Pai, não, não faça isso com o Joãozinho, por favor!
- Seu guarda eu não sou vagabundo, eu não sou delinqüente, sou um cara carente.
- Agora você vai ver o que é bom pra tosse, pensa que vai ficar a atrapalhar as pessoas assim, seu marginal.
- Deixe me ir preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar.